No contexto do debate sobre identidade pessoal, o reducionismo psicológico é a tese, advogada por Derek Parfit, segundo a qual nossa identidade através do tempo deve ser compreendida como uma conexão (connectedness) ou como uma continuidade psicológica com sua causa normal, ou com qualquer outra causa desde que não exista outra pessoa conectada psicologicamente conosco, ou contínua conosco. Parfit chama essa conexão de “Relação R”. A conexão psicológica é realizada, por exemplo, por memórias diretas, pela relação entre intenção e sua eventual implementação na ação, ou pela persistência de crenças ou desejos. A continuidade psicológica, por sua vez, é a retenção de cadeias sobrepostas de conexão forte. Por exemplo, uma pessoa se lembra de suas experiências do dia anterior, tendo naquele dia lembrado de experiências do dia anterior, e assim consecutivamente.
A tese é reducionista por evita a postulação de uma alma cartesiana ou de um eu substancial. Parfit sustenta que a identidade pessoal não é necessariamente determinada. Que uma pessoa mais tarde seja idêntica com uma pessoa mais cedo não precisa ser verdadeiro ou falso; portanto, respostas a questões como “Serei eu quem sofrerá?” ou “Serei eu quem morrerá?” não precisam ser verdadeiras ou falsas.
Como Parfit reconhece, há afinidades interessantes entre esta tese e algumas posições budistas. O Buda ensinou que de certo modo é e de outro modo não é a mesma pessoa que renasce. Locke também é um reducionista psicológico sobre identidade pessoal, já que argumentou em favor da tese de que a mesmidade de uma pessoa através do tempo apenas até onde puder ser estabelecido pela memória, pois ser a mesma pessoa pressupõe a possibilidade de considerar a si mesmo como a mesma pessoa. Apesar de Locke insistir que a alma é redundante para a explicação da identidade pessoal, ele não obstante reivindica que é provável que a alma é aquilo que chamamos “consciência”.
Bibliografia:
- John Locke, An Essay Concerning Human Understanding, II, cap. 27.
- Derek Parfit, Reasons and Persons, parte 3.
- Walpola Rahula, What the Buddha Taught, cap. 6.
Referência online:
- Gordon Kennedy, “Personal Identity and Psychological Reductionism“.
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